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Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 2)

dinheiro

Continuação do artigo: Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 1)

Ganhar R$100 é menos significativo do que perder R$100

Há 30 anos, os psicólogos Daniel Kahneman(prêmio nobel de economia em 2002), da Universidade de Princeton, e Amos Tversky(1937-1996) elaboraram a teoria da perspectiva, que em resumo diz: As pessoas, de uma forma geral, têm mais motivação para evitar perdas que para conquistar ganhos.

Campanhas para o auto-exame das mamas são mais eficazes quando enfatizam as consequências da detecção tardia do câncer. Apelos para que os consumidores economizem energia dão mais resultado quando são valorizadas informações sobre perda de dinheiro. Nós somos motivados pelo prejuízo, um acontecimento ruim é mais significativo do que um acontecimento bom, pode reparar.

Tá, ok, mas onde entra a usabilidade na história?

Quando perdemos dinheiro temos uma experiência negativa, quando ganhamos, temos uma experiência positiva, da mesma forma nosso cérebro lida com as experiências de navegação em um site.

A teoria da perspectiva nos ajuda a entender a importância da prevenção de possíveis experiências negativas. Já imaginou se o usuário não consegue o que pretende com seu site? Para onde vai aquele flash maravilhoso? Será que ele compensará uma frustração? Parece pouco provável.

A teoria também serve para que você aprimore a redação do seu site, aproveite!

Discuta, participe, opine aqui no Complicado.

Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 1)

Psicologia da Decisão - complicado.com.br
Nós não somos totalmente livres, nossas decisões, das mais banais às mais cruciais, são influenciadas por aspectos que fogem ao domínio da consciência.
A todo momento estamos interagindo com tudo à nossa volta, pessoas, animais, objetos e, claro, com a internet! Uma das coisas mais bacanas na internet e que a diferencia de outros diversos meios é a possibilidade de interagir, e para cada interação, há, logicamente, uma decisão.
Mas como as pessoas tomam decisões? O que faz elas soltarem ou segurarem um pum, por exemplo? É exatamente isso que a Psicologia da Decisão estuda e em dois artigos(este e mais um que virá) tentarei explica-la de forma bem simples, mostrando o quanto é útil entender como as pessoas tomam decisões para fazer sistemas interativos melhores e com resultados surpreendentes.

O contexto influencia a tomada de decisão

A ilustração deste artigo trata justamente desse ponto. O contexto.

Você não é livre para soltar ou não um pum, nem eu nem você. O contexto influencia na nossa liberdade de escolha. Em uma reunião de negócios por exemplo, normalmente as pessoas não emitem flatulências, já em suas casas, a coisa funciona um pouco diferente.

A “liberdade de escolha” não consegue ficar totalmente livre. Percebeu?

Estamos considerando o pum neste artigo algo controlável. Puns “sem querer” existem, para a alegria de muitos e tristeza de alguns.

O silêncio tem poder

Ao invés de pedir para que as pessoas decidam, que tal influenciá-las simplesmente setando uma opção como padrão(default)?

Cadastro IG:

Ig

Cadastro Mercado Livre:

Cadastro Mercado Livre

Cadastro Yahoo!:

Cadastro Yahoo!

Há também um ótimo exemplo fora da internet. Ser ou não ser doador de órgãos?

Clique na imagem abaixo para ampliar

Ser ou não ser doador de órgãos?

Imagem retirada da revista Mente e Cérebro Nº 179. Se quiser saber mais, pode também consultar o artigo em inglês: Do Defaults Save Lives?(pdf)

Conselho do Jonas: Recomendo usar essa “tática” de forma inteligente, com base em pesquisas. Um bilhão de cadastros em sua newsletter, por exemplo, pode não significar 1 bilhão de pessoas felizes em receber as novidades e promoções da sua empresa. O silêncio é igual a pólvora, lembre-se disso, no trabalho e fora dele.

“A opção default(padrão) é sempre a melhor opção pra mim”

Muita gente tem um plano de celular que não é o mais vantajoso, isso acontece também na web, a maioria dos usuários utiliza sistemas online do jeito que lhe são fornecidos e não chegam a adaptá-los/personaliza-los às suas necessidades, as vezes pensam até que o sistema não serve para eles pois a opção que queriam não se encontra ativada por default.

Orkut Defaults

Tela de configurações do orkut.com. Provavelmente o sistema com maior índice de personalização por parte dos usuários

Conselho do Jonas: Sempre recomendo pesquisa e testes de usabilidade na hora de configurar os padrões de um sistema desenvolvido por você. Já vi projetos não darem certo somente por causa desse erro, cuidado.

A vida é corrida e complicada e não é possível prestar atenção em tudo. Pesquisar alternativas consome tempo, mas a preguiça e a falta de atenção não são as únicas razões de nossa inércia.

Em 2006, um estudo do psicólogo Craig R. M. McKenzie da Califórnia, em San Diego mostrou que a maioria das pessoas pressupõe que a opção default é sempre a mais recomendada.

continuação do artigo >>

Quero deixar meu comentário no Complicado!

Complemento(humor): As mulheres bonitas também tem gases?
Referências: Revista Mente e Cérebro nº 179

A Usabilidade na Redação para a Web(Parte 3)

Até você

Continuação do artigo: A Usabilidade na Redação para a Web(Parte 2)

 

Todo mundo pode escrever para a Web. Existem profissionais especializados nisso, mas se você não tem condições de investir em um webwriter, pegue umas dicas aqui e melhore seu trabalho!

 

Fornecendo informações de produtos.

É dificil estimar quantas vendas são perdidas diariamente em sites de comércio eletrônico por causa de informações irrelevantes, confusas e/ou insuficientes.

Modismos de marketing espantam clientes. Forneça sempre informações relevantes e se possível avaliações sobre os produtos vendidos, opiniões de quem já comprou o produto, artigos relacionados, etc.

Texto conciso e informativo gera confiança, aumenta a credibilidade, dá melhor suporte ao cliente e de quebra contêm palavras-chave que ajudam na indexação do seu site nos mecanismos de busca, logo, aumenta as vendas.

 

Não tente prever as ações do usuário, ele não vai ler seu site inteiro para descobrir como algo funciona.

“Tudo bem, se o usuário quiser saber como instala esse programa ele clica ali e lê as instruções.”

Muito cuidado ao colocar conteúdo necessário em locais que você acha que o usuário vai encontrar. Geralmente ele não encontra, não encontra MESMO.

Conteúdo importante sempre bem na cara do usuário, bem redigido(simples e conciso) e mesmo se a página ficar um pouco mais longa, costuma compensar. Se puder teste das duas formas(via link e na mesma página) com algumas pessoas de idades e “intimidades tecnológicas” distintas.

Ao escrever instruções, helps e tudo mais, procure ser bem breve e colocar imagens e/ou vídeos, facilita bastante a compreensão.

 

Você conhece as pessoas para as quais escreve?

Um site de entretenimento não pode ser escrito da mesma forma que o site de uma empresa de investimentos.

Muita gente que escreve para web não muda sua forma de redação, acaba viciando em uma maneira de escrever e usa esta em qualquer site, independente do público-alvo. Vejo muito isso em portfólio de profissionais web autônomos, trabalhos lindos, bem codificados, mas infelizmente pecam na redação.
Converse com seu público-alvo, veja como eles se comunicam, como são redigidos os livros para esse público, como os bons sites da área apresentam o conteúdo, isso vai te ajudar também na hora de cuidar do design e arquitetura de informação, é excelente, experimente!

 

Forneça dados concretos.

Escrever bonito seu concorrente também escreve. Está cheio de textos rebuscados e pomposos na internet. Mostre muito resultado e escreva o mínimo de “bobagens marketeiras”.

Também tome cuidado com textos que servem para qualquer empresa, seu usuário não precisa de textos genéricos.

 

A arte de resumir.

Dizer muito em poucas palavras é uma arte. Dedique algum tempo à ela.

Ninguém tem saco para ler textos enormes e resumos que cortam informações importantes não servem pra nada.

Tente escrever somente as informações essenciais num papel, antes de redigir o texto, com os pontos mais importantes definidos e escritos ali bem na sua frente o processo de construção da redação fica mais fácil.

 

EU QUERO MAIS!

Os escritos deste artigo com certeza não agradarão à todos, não se enquadrarão na realidade de alguns e não são tão “mão na massa” quanto alguns de vocês que me mandaram e-mails gostariam, então, logo abaixo, links para todos os gostos:

Provavelmente este será o último artigo dessa série, mas preferi colocar como “parte 3″ ao invés de final, tem muito ainda a ser explorado sobre o tema, me falta tempo e paciência para escrever tanto sobre o mesmo assunto, mas quem sabe escrevo mais sobre a usabilidade na redação para web daqui a algum tempo, espero que o conteúdo até aqui realmente aprimore seu trabalho e amplie seus resultados.

Preciso do seu feedback, se você leu este ou os 3 artigos, por favor: Comente!

 

Sua senha é complicada? Pra quem?

Qual senha é mais complicada?

Freqüentemente os sites - e não só os sites - nos pedem para criar senhas complexas, com números, letras e caracteres diversos para que tenhamos uma maior segurança. Onde está a usabilidade? Quem é que consegue decorar senhas todas malucas e sem nexo algum? E se eu te disser que uma senha maluca pode ser menos confiável do que uma senha: “doce de goiaba”?

 

MANEIRAS DE DESCOBRIR SENHAS

Um cracker pode usar de diversas maneiras para descobrir sua senha, dentre elas:

Perguntando: Pessoas são más, elas sabem ser persuasivas. Não espere que alguém te pergunte diretamente: Hey, qual a sua senha? Mas com certeza alguém já deve ter descoberto(ou tentado descobrir) sua senha de formas mais inteligentes. Ter uma senha do tipo “ag7zs3″ não vai adiantar ou vai adiantar tanto quanto “doce de goiaba”.

Adivinhando: É né? Danadinho(hahah). Lembrou do tempo em que você brincava de crackerzinho com a galera da escola, eu sei, todo mundo já tentou adivinhar senhas, no começo é divertido inclusive. Funcionou? Bom alguns aqui diriam que sim, outros diriam que não. O importante é frisar que, se você gosta de futebol, talvez a senha futebol ou jogo de futebol não funcione tão bem quanto a senha dedo no nariz(ou qualquer outra que não tenha relação nenhuma com você, espero que esse exemplo não tenha).

“Ataque de força bruta”(mais conhecido como brute force): O negócio aqui é tentar, tentar e tentar diversas combinações de caracteres diferentes. Pode ser manualmente ou “automagicamente”(via software) até o programa - ou o cracker - adivinhar a senha. A única forma de se proteger do brute force é criando uma senha complexa(complexa para o programa não significa complexa para você).

“Ataque de palavras comuns”: Neste ataque ao invés de tentar várias combinações de letras, números e etc o cracker tenta adivinhar sua senha utilizando palavras e frases que possuem alguma relação com você.

“Ataque do dicionário”: O “Ataque do dicionário” funciona igual ao brute force mas usa, adivinhe só, palavras do dicionário ao invés de combinações de letras sem sentido.

 

COMO FAÇO UMA SENHA SEGURA E COM BOA USABILIDADE?

A senha do nosso exemplo lá em cima, a ag7zs3, demoraria através do método de brute force, oito meses para ser descoberta. Achou muito? Acha que está seguro?

A frase this is fun em uma simulação demorou 2,537 anos para ser descoberta, no método: “Ataque de palavras comuns”. Doce de goiaba se enquadra na mesma categoria, da “senha com 3 palavras comuns” porém tem mais caracteres do que a frase this is fun, ou seja, é ainda mais segura!

 

E palavras incomuns que são fáceis de lembrar, tem segurança?

Veja você mesmo:

Fluffy is puffy em uma simulação no método “Ataque do dicionário” demorou 39,637,200 anos para ser desvendada!

du-bi-du-bi-dub em uma simulação no método brute force demorou 531,855,448,467 anos!

 

Senhas podem ser seguras e ter boa usabilidade, basta usar a imaginação.

Comente! Não basta ler o blog, tem que participar!


Referência: The Usability of Passwords
Complemento: Novas Aventuras da Autenticação

 

A Usabilidade na Redação para a Web(Parte 2)

Nem todo mundo lê igual você

Continuação do artigo: A Usabilidade na Redação para a Web(Parte 1)

7% DA POPULAÇÃO MUNDIAL TEM TDAH

Aproximadamente 7% da população mundial tem Transtorno de Déficit de Atenção com(ou sem) Hiperatividade.

O que é TDAH?

Segundo o Instituto Paulista de Déficit de Atenção:

Dificuldade em manter a atenção concentrada é a principal característica do Transtorno de Déficit de Atenção. Este problema tem sua origem em uma condição orgânica, relacionada a uma estrutura cerebral chamada lobo pré-frontal.

Quando esta estrutura cortical tem seu funcionamento comprometido, a pessoa passa a ter vários problemas, entre eles dificuldade de focar a atenção.

Os principais elementos comportamentais que acompanham o Déficit de Atenção são a hiperatividade e a impulsividade.

Mas esses caras ai não fazem parte do meu público-alvo!

Claro que fazem, seu ameba!

Eu tenho certeza que se você não tem contato com um TDAH, ao menos conhece alguém que é muito desatento, estabanado, impaciente, tudo isso junto ou alguma dessas características isoladas.

Já parou pra pensar que o comportamento desse tipo de pessoa com um site é totalmente diferente? Que alguém hiperativo pode nem chegar a ler seu texto porque só pelo tamanho se desanimou e resolveu sair clicando pelo site inteiro?

E se o cara tem um perfil mais curioso, mas é assolado pela falta de atenção ou está num ambiente “desconcentrante” como a sala de casa com a mãe vendo a novela das oito logo ali atrás ou o irmão pentelhando, uma fábrica barulhenta, etc. Imagine essa pessoa lendo um texto complicado.

No final o usuário não vai ter absorvido nada do que você escreveu e olha ai os problemas:

  • Cliente ligando para o suporte para perguntar o que acabou de ver no site, apesar de ter lido não compreendeu o texto;
  • Usuário que deu uma “passadinha-de-olho” no texto, não entendeu direito e executou a tarefa de forma errada no sistema ou deixou de executar a tarefa;
  • Usuário lendo 10x o mesmo texto afim de compreender e “gravar” as informações porque, pela forma como você escreveu e/ou formatou, a coisa estava complicada;
  • etc etc e etc.

Compreendeu?

O que eu posso fazer para escrever textos mais fáceis de compreender e mais interessantes?

Algumas dicas:

  • Não use voz passiva: A bola foi chutada pelo menino. Use voz ativa: O menino chutou a bola.
  • Escreva somente o necessário: Por exemplo, se a cor da bola que o menino chutou, para o usuário, for indiferente, nem cite no texto.
  • Pirâmide invertida: O que é mais interessante o usuário precisa ler primeiro! A medida que for ficando “menos interessante” vá colocando mais abaixo. Mentira, se começar a ficar desinteressante nem pense em escrever, tudo precisa ser interessante e útil para estar na web. É, radical assim mesmo.
  • Use listas: Listas são amigas. elas ajudam na “escaneabilidade” do texto! Só cuidado pra não fazer listas muito longas, nem a sua lista de compras deveria ser assim.
  • Parágrafos curtos: Longos parágrafos cansam, dão preguiça de ler e são chatos, bobos e feios.

As dicas acima foram apenas “amostras-grátis”. No próximo artigo veremos como lidar com textos longos, como receber visitas de “qualidade” no seu site e o papel da redação nisso, etc e tal.

Se quiser fazer perguntas na área de comentários aproveite, ou eu responderei em no máximo 24 horas ou responderei no próximo artigo citando seu nome e pergunta.

Participe, comente, pergunte, deixe aqui as suas dicas também!

A Usabilidade na Redação para a Web(Parte 1)

Redação Web

Oferecer aos usuários exatamente o conteúdo que eles precisam - e querem - ler é uma das estratégias mais efetivas para o sucesso de um site.

Você já se perguntou por que os sites das empresas por ai tem tanta coisa escrita e aquela montanha de dados é exatamente o que você não procura?

 

A Redação Hoje

A maior parte do conteúdo dos sites que hoje circula na web foi redigido por profissionais de outros meios de comunicação, secretária ou dono da empresa que solicitou o desenvolvimento do site.

Isso ai é um problemão.

Web não é jornal, não é livro e nem revista, web é WEB e precisa de um texto especial para este meio. Um texto enxuto focado no público-alvo do site, não no dono da empresa. O dono não precisa das informações contidas ali, ele sabe tudo sobre o negócio dele e nunca precisará consultar o próprio site.

 

Resultados de uma boa Redação

Um estudo feito por John Morkes juntamente com Jakob Nielsen em um site B2B(business to business) demonstrou que, comparada com a original, a nova versão de redação planejada especialmente para a web permitiu aos leitores:

  • Lembrar 100% mais fatos
  • Avaliar a satisfação com o website 37% melhor
  • Cometer 80% menos erros
  • Completar a tarefa 80% mais rápido

Esse não é um caso isolado nem um exemplo extremo do que uma redação focada no usuário pode fazer, isso é comum, isso é atender os clientes do jeito que eles desejam ser atendidos, isso é pesquisa, isso é USABILIDADE na redação para a web!

No próximo artigo mais umas palavrinhas e dicas sobre essa “ramificação” da área de usabilidade. Não perca!

E claro, participe!

Complemento(17 de outubro): O trabalho do webwriter é bem mais do que criar texto

Google AdSense, do bem ou do mal?

Google Adsense

https://www.google.com/adsense

 

Anúncio que se parece com anúncio os usuários ignoram. Anúncio que não se parece com anúncio, engana o usuário. E ai? O que fazer para não atrapalhar a usabilidade e ainda assim lucrar?

 

Sobre o Google AdSense

Segundo a Wikipédia: “AdSense é o serviço de publicidade oferecido pelo Google. Os donos de websites podem se inscrever no programa para exibir anúncios em texto, imagem e, mais recentemente, vídeo. A exibição dos anúncios é administrada pelo Google e gera lucro baseado ou na quantidade de cliques ou de visualizações. Um método baseado nas ações realizadas pelo usuário está em fase de testes.

Os anúncios são escolhidos de acordo com o conteúdo do site, a localização geográfica do usuário entre outros fatores, e acaba gerando um anúncio menos intrusivo que a maioria dos banners e de acordo com o conteúdo da página, o que o tornou um método popular para oferecer anúncios.”

Anúncio Google

 

Como os usuários lidam com anúncios, como a Google lida com os usuários

Conforme mostrado no artigo anterior, os usuários estão aprendendo a ignorar formatações extravagantes, uma vez que estas são amplamente utilizadas por anunciantes e é pouco provável que alguém goste de ver anúncios, logo, aprendem a ignora-los.

A empresa Google - espertamente - deve ter percebido a situação e lançou no mercado o Google AdSense, cuja fórmula mágica Formatação discreta + Conteúdo pertinente parece estar dando muita alegria a proprietários de blogs e sites de sucesso.

Mas até quando?

 

As Implicações do Google AdSense na Usabilidade

Apesar de não ter feito teste algum de usabilidade com usuários e não estar de posse de dados à respeito, desconfio que tem muita gente por ai clicando em anúncios AdSense achando que os mesmos fazem parte do conteúdo do site que visitam e acabam sendo levados para páginas que não lhe são úteis.

Partindo do princípio em que a maior parte dos usuários está caindo em “armadilhas”, me surgiu o seguinte:

Anúncios que se parecem com anúncios estão sendo ignorados, isso é fato e já foi comprovado. Anúncios que se parecem com conteúdo estão funcionando muito bem, isso também pode ser comprovado facilmente, tem gente ganhando muito bem em cima do Google AdSense. Os anúncios geram lucro para os sites o qual se referem? Visitação eu sei que gera, lucros de verdade, desconfio que somente em casos específicos.

Os profissionais da área web sempre conseguiram se desviar desse tipo de anúncio e logo aprenderam o que era AdSense e o que não era. Mas e usuários “comuns”?

O usuário comum pode estar clicando em anúncios que não gostaria de clicar por estar sendo enganado com uma formatação que para ele, era conteúdo! Pode ser que os anúncios da Google estejam treinando usuários à ignorarem também conteúdo relevante que para o usuário leigo pode ser confundido com anúncio.

E como os desenvolvedores ficam nessa, daqui à algum tempo, se a maior parte dos usuários estiver confusa? Terão de deixar explícito no website o que é conteúdo e o que não é. Mas desse jeito perde-se dinheiro pois os anúncios serão ignorados.

Há alguma maneira de fazer publicidade online sem a necessidade de enganar usuários e trazendo retorno para o anunciante e o proprietário do site que veicula o anúncio?

Agora é com vocês, gostaria de fazer um bate-papo na área de comentários deste blog à respeito do assunto. Vamos?

A Usabilidade, os namorados e as amigas

porque ninguem repara na gente?

Pode ser que algo que você jure chamar a atenção, não chame tanta atenção assim ou passe até despercebido pelos outros. Quando isso acontece, não se pode culpar as pessoas.

 

Se você for mulher, já deve ter dito - ou pensado - alguma vez na sua vida:

- Minhas amigas nem repararam no meu sapato novo… Foi caríssimo!

Ou então, se você é homem, já ouviu da namorada:

- Poxa, mudei o corte de cabelo e você nem reparou!

 

NÃO mulher. O seu namorado não é relapso e suas amigas não são invejosas. O que acontece é que quando participamos do momento, seja ele um corte de cabelo ou a fase de desenvolvimento de uma interface web, fica bem claro - para nós - o que deve chamar a atenção ou não.

Fica tão claro, que a namorada se irrita com o namorado por ele não ter percebido o corte de cabelo novo e o desenvolvedor web duvida da capacidade intelectual do usuário de seu projeto.

E o problema está com quem? Cabeleireiro, Namorado, Usuário?

De forma alguma. O problema está em achar que tudo o que você acha que chama a atenção, vai despertar a atenção de todos!

E como ter a certeza de que algo vai funcionar como eu acho que vai?

O problema do sapato novo ou do corte de cabelo eu juro que ainda não sei, mas na área do desenvolvimento web o problema é bem simples de ser resolvido.

TESTE COM USUÁRIOS

Você só vai saber se algo tem o impacto que você quer em um site quando você observa os usuários interagindo com ele. Se você não testa, pode acontecer o que aconteceu com o site Census Bureau.

Census Bureau

O desenvolvedor do site acima usou negrito e vermelho para dar destaque ao dado principal do site(população dos Estados Unidos), além disso também aumentou o tamanho dos números.

Aposto que muitos dos leitores do Complicado pensaram que realmente o desenvolvedor conseguiu o que queria, chamar a atenção para aquele dado específico.

Eu explico o porquê. Como eu comentei mais acima, a partir do momento em que você participa do “momento”, as coisas ficam mais claras. Agora eu já imergi vocês na realidade do desenvolvedor, citei o que era o conteúdo principal do site e como foi feita a sua formatação, olhando a imagem acima ou entrando no Census Bureau, você realmente achará que aquilo lá está chamando a atenção de todos como também chamou a sua.

 

O Problema

Os usuários não sabem do seu objetivo, não entendem qual é a informação mais importante de um site e nem o que o desenvolvedor quer que eles vejam, quem vai dizer isso à eles é uma interface bem planejada.

Além disso, usuários são humanos, e como todo humano, são capazes de aprender. Eles estão aprendendo a ignorar itens extravagantes porque é essa a característica dos anúncios, e ninguém se interessa por anúncios, certo?

Somente 14% dos usuários realmente leram aquele número que era para ter destaque no Census Bureau. O resto simplesmente “passou o olho”.

A maior parte dos usuários se concentrou no ‘U.S 301′. Nem chegou a ler o número inteiro quando foi dado a tarefa de procurar quantas pessoas existem atualmente nos Estados Unidos. Como mostra a figura abaixo:

Eyetrack census

Então cuidado, nem tudo o que você pensa que se destaca, realmente se destaca.

Não se pode concluir o nível de atenção dado a certo item de um site apenas perguntando ao usuário ou tentando pensar com a cabeça dele. Nada substitui a análise comportamental dos usuários.

E o seu site, já passou por um teste de usabilidade com usuários? Será que não está na hora de passar por um?

Comente!

 

Referências: Fancy Formatting, Fancy Words = Looks Like a Promotion = Ignored

O Cinema Nacional e a Usabilidade na Web

Atualmente grande parte das agências web desenvolvem para o próprio umbigo, o mesmo ocorre com o cinema nacional cujo foco está na satisfação dos produtores e suga anualmente de nossos bolsos 800 milhões de reais, estes que poderiam ser melhor investidos se os interesses dos “cinespectadores” fossem levados em consideração.

Ipojuca Pontes, ex-Secretário Nacional da Cultura afirma:

Engana-se redondamente quem imagina que o cinema nacional, custando perto de R$ 800 milhões anuais ao bolso do contribuinte, tem algum compromisso com o desenvolvimento industrial e a auto-sustentação da atividade.

E por que a sétima arte brasileira não consegue se auto-sustentar? Que ponto a metodologia de desenvolvimento web mais utilizada tem em comum com a metodologia de produção de filmes nacionais?

Pode ser que Rodrigo Constantino, autor do livro “Prisioneiros da liberdade” clareie as coisas:

Muitos reclamam que Hollywood domina a indústria do cinema. Falam que os filmes americanos são “empurrados” para os consumidores, pela montanha de dinheiro gasta pelos estúdios. Mentira. A relação é inversa. Hollywood tem tanto dinheiro assim para gastar com filmes justamente porque agrada os consumidores. Cada novo filme é uma espécie de project finance, um empreendimento próprio. São milhares de alternativas, todos disputando a verba privada de financiamento. E a lógica vigente é a do livre mercado, onde o cliente final que seleciona os vencedores. Quem agrada o público, conhece o sucesso. E por isso vemos todo tipo de filme sendo produzido lá, para a satisfação de inúmeros nichos de mercado.

Já no Brasil, em estilo semelhante ao francês, são os produtores que buscam satisfação nos filmes, sem muita preocupação com o público. Ora, esta é a receita certa para o fracasso de bilheteria, e a concomitante verba minguada. Resta apelar para o “paizão”, o Estado. Assim, o dinheiro do público é usado na marra para o financiamento justamente de filmes que o público não quer. Para piorar a situação, o governo ainda cria as “cotas de tela”, uma reserva de mercado, impondo determinado número de dias mínimos para a exposição dos filmes nacionais. É a mesma “lógica” da fatídica Lei da Informática, onde, para “proteger” a indústria nacional, os consumidores são obrigados a comprar gato por lebre.

Já passou da hora dos produtores - de sites, filmes ou qualquer outra coisa - sairem do âmbito do achismo e começarem a atender os interesses de quem indiretamente financia seus serviços: os usuários, o público.

Deixe seu comentário.

Ipojuca Pontes: Cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.

Rodrigo Constantino: Economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor dos livros “Prisioneiros da Liberdade” e “Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT”, ambos pela editora Soler.

Referências: Cinema Trash, O cinema da mentira.

Apelando para os buscadores

Buscadores

 

Quer saber o que acontece quando uma empresa não investe em usabilidade?

Logo abaixo está a lista com algumas das palavras/frases usadas nos buscadores que trouxeram usuários até aqui no blog. A forma de escrita não foi editada, inseri exatamente o que o usuário colocou no buscador:

 

16 Julho 2007

  • globo email rede contato
  • endereços do banco SANTANDER
  • e-mail para rede globo para o programa d
  • e-mail do programa da jo da rede globo
  • orkut fazer nova hotmail
  • minha conta do banco do brasil
  • criar nova conta hotmail link

15 Julho 2007

  • Criar uma Conta MSN Hotmail
  • imail de contato com a globo
  • abrir conta no msn
  • qual e o site do banco do brasil para co
  • links para ler email do site da oi
  • como mandar email para rede globo
  • telefones banco santander
  • quero falar com a globo
  • como mudar conta do hotmail

Outros dias

  • abrir nova conta hotmail
  • acessar minha poupança banco do brasil
  • como entrar em contato com a globo
  • consultar minha conta poupança no banco
  • manda email para a rede globo
  • site globo problema
  • COMO SAIR DO CADASTRO DO MERCADO LIVRE
  • fazer hotmail
  • falar com banco santander
  • telefone de contato do banco santander
  • serviço de atendimento ao cliente sant
  • telefone de contato do santander
  • site do banco do brasil corrente
  • BANCO SANTANDER CONSUMER
  • problemas site bb
  • erro acesso site bb
  • AGENCIAS BANCO SANTANDER
  • nao consigo assecar minha conta no banco
  • link para nova conta do hotmail
  • site do banco santander
  • eu esotu procurando o site do banco do b
  • hatch ss
  • mandar email para globo
  • acesso todos os site menos bancodobrasil
  • banco santander site
  • entrar em contato com a globo
  • Problemas para acessar o site do banco d
  • banco santander consumer

O QUE A LISTA ACIMA PODE NOS DIZER?

  1. A navegação dos sites acima está complicada, obrigando os usuários a pedirem auxílio aos buscadores para concluírem suas tarefas;
  2. Os usuários estão transformando o mecanismo de busca em um “mecanismo de respostas”;
  3. Os itens mais procurados por esses clientes não estão localizados onde eles esperavam que estivessem;
  4. Participe!