Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 1)

Psicologia da Decisão - complicado.com.br
Nós não somos totalmente livres, nossas decisões, das mais banais às mais cruciais, são influenciadas por aspectos que fogem ao domínio da consciência.
A todo momento estamos interagindo com tudo à nossa volta, pessoas, animais, objetos e, claro, com a internet! Uma das coisas mais bacanas na internet e que a diferencia de outros diversos meios é a possibilidade de interagir, e para cada interação, há, logicamente, uma decisão.
Mas como as pessoas tomam decisões? O que faz elas soltarem ou segurarem um pum, por exemplo? É exatamente isso que a Psicologia da Decisão estuda e em dois artigos(este e mais um que virá) tentarei explica-la de forma bem simples, mostrando o quanto é útil entender como as pessoas tomam decisões para fazer sistemas interativos melhores e com resultados surpreendentes.

O contexto influencia a tomada de decisão

A ilustração deste artigo trata justamente desse ponto. O contexto.

Você não é livre para soltar ou não um pum, nem eu nem você. O contexto influencia na nossa liberdade de escolha. Em uma reunião de negócios por exemplo, normalmente as pessoas não emitem flatulências, já em suas casas, a coisa funciona um pouco diferente.

A “liberdade de escolha” não consegue ficar totalmente livre. Percebeu?

Estamos considerando o pum neste artigo algo controlável. Puns “sem querer” existem, para a alegria de muitos e tristeza de alguns.

O silêncio tem poder

Ao invés de pedir para que as pessoas decidam, que tal influenciá-las simplesmente setando uma opção como padrão(default)?

Cadastro IG:

Ig

Cadastro Mercado Livre:

Cadastro Mercado Livre

Cadastro Yahoo!:

Cadastro Yahoo!

Há também um ótimo exemplo fora da internet. Ser ou não ser doador de órgãos?

Clique na imagem abaixo para ampliar

Ser ou não ser doador de órgãos?

Imagem retirada da revista Mente e Cérebro Nº 179. Se quiser saber mais, pode também consultar o artigo em inglês: Do Defaults Save Lives?(pdf)

Conselho do Jonas: Recomendo usar essa “tática” de forma inteligente, com base em pesquisas. Um bilhão de cadastros em sua newsletter, por exemplo, pode não significar 1 bilhão de pessoas felizes em receber as novidades e promoções da sua empresa. O silêncio é igual a pólvora, lembre-se disso, no trabalho e fora dele.

“A opção default(padrão) é sempre a melhor opção pra mim”

Muita gente tem um plano de celular que não é o mais vantajoso, isso acontece também na web, a maioria dos usuários utiliza sistemas online do jeito que lhe são fornecidos e não chegam a adaptá-los/personaliza-los às suas necessidades, as vezes pensam até que o sistema não serve para eles pois a opção que queriam não se encontra ativada por default.

Orkut Defaults

Tela de configurações do orkut.com. Provavelmente o sistema com maior índice de personalização por parte dos usuários

Conselho do Jonas: Sempre recomendo pesquisa e testes de usabilidade na hora de configurar os padrões de um sistema desenvolvido por você. Já vi projetos não darem certo somente por causa desse erro, cuidado.

A vida é corrida e complicada e não é possível prestar atenção em tudo. Pesquisar alternativas consome tempo, mas a preguiça e a falta de atenção não são as únicas razões de nossa inércia.

Em 2006, um estudo do psicólogo Craig R. M. McKenzie da Califórnia, em San Diego mostrou que a maioria das pessoas pressupõe que a opção default é sempre a mais recomendada.

continuação do artigo >>

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Complemento(humor): As mulheres bonitas também tem gases?
Referências: Revista Mente e Cérebro nº 179

9 Respostas para “Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 1)”


  1. 1 Jonas Felipe 2 Janeiro, 2008 em 1:49 am

    Como estava de férias tive um pouco mais de tempo para me dedicar ao artigo, pela formatação da pra perceber, talvez no quesito conteúdo e organização de idéias também.

    Espero que tenham gostado. E claro, aguardem a próxima parte!

    Obrigado pela visita.

    (=

  2. 2 Rereira 2 Janeiro, 2008 em 8:51 pm

    Acho muito interessante o tema abordado, mas acho necessário aprofundarmos em novos posts ou discussões aqui no Blog.

    A navegação do usuário deve ser influenciada e acima de tudo muito bem orientada.

    Abraços.

  3. 3 leandro 5 Janeiro, 2008 em 4:07 am

    Eu fiquei confuso, o ideal é a gente tomar as decisões de como queremos, personalizando ao nosso gosto ou o dono do sistema tornar tudo default de acordo com o que ele acha que é melhor pra mim?

  4. 4 Jonas Felipe 5 Janeiro, 2008 em 3:25 pm

    Rogério:

    A navegação do usuário deve ser influenciada e acima de tudo muito bem orientada.

    Muito bem orientada eu concordo, agora influenciada depende muito do sistema.

    Influenciar o usuário a assinar uma newsletter por exemplo não é legal e se a empresa colocar o default como “não assinante”, o usuário, como você viu no artigo, vai acabar não assinando porque ele “vai na onda” do que é setado como padrão.

    Como resolver isso? Obrigando o usuário a fazer uma escolha, assim ele será obrigado a pensar: “será que quero receber novidades e promoções ou não” e ai sim, escolhe a melhor opção para ele. Com isso temos somente assinantes que gostariam de receber esse tipo de conteúdo. Fora do mundo virtual isso já foi utilizado, no mesmo caso ali de doação de órgãos citado no artigo, o governo de determinado local obrigou as pessoas tomarem uma decisão(ser ou não ser doador), os resultados foram super positivos e sem manipulação, a quantidade de doadores caiu um pouco em relação a países em que por default os habitantes são doadores, porém ao meu ver foi a atitude mais justa.

  5. 5 Jonas Felipe 5 Janeiro, 2008 em 3:37 pm

    Leandro,

    O ideal é pensar SEMPRE no que é melhor para o usuário.

    As vezes o melhor é pesquisar, achar padrões e criar defaults com base neles para facilitar a vida de grande parte dos usuários e as vezes o melhor a fazer é deixar que eles escolham, obriga-los a tomar uma - ou mais - decisões. Sempre lembrando que há dados como tempo e paciência na história, obrigar o usuário a tomar 400 decisões para só depois usar o seu site, pode não ser legal.

    Por isso é legal saber como as pessoas tomam decisões para tentar um alinhamento dos seus interesses com os interesses do usuário.

    Ficou mais claro ou te confundi ainda mais? Qualquer coisa dá um pulinho aqui de novo!

    =)

  6. 6 Thiago Ross 23 Junho, 2008 em 10:18 pm

    Jonas,

    Ótimo artigo, mas fikei com dúvida.

    Quando vc diz: “Como resolver isso? Obrigando o usuário a fazer uma escolha, assim ele será obrigado a pensar: “será que quero receber novidades e promoções ou não” e ai sim, escolhe a melhor opção para ele.” vc quer dizer q o mais adequado é ter 2 opções?

    Por exemplo:
    Sim, desejo receber a newsletter
    Não, não desejo receber a newsletter

    E deixar o usuário escolher?

    Abraços

  7. 7 Jonas Felipe 29 Junho, 2008 em 11:48 pm

    Thiago, isso mesmo.

    Mas não existe receita mágica, o negócio é fritar um pouco o cérebro e arrumar uma solução legal para que somente os usuários interessados recebam newsletter e ainda assim o número de assinantes seja legal para a empresa que te contratou.

    Se nada funcionar, é mais educado(e funciona melhor), deixar a opção de newsletter desabilitada.

    (=

  1. 1 Usabilidade faz toda a diferença « Complicado Trackback sobre 27 Janeiro, 2008 em 6:40 pm
  2. 2 Usabilidade e a Psicologia da Decisão(Parte 2) « Complicado Trackback sobre 25 Abril, 2008 em 12:03 am

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